Só navios ligados ao Irã cruzam Ormuz enquanto Trump pressiona por reabertura
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A insistência do presidente Donald Trump para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz, às vésperas de as duas partes retomarem conversas diplomáticas neste fim de semana, não tem surtido efeito: o trânsito continua, em grande parte, restrito a embarcações ligadas a Teerã.
Apesar do início de um cessar-fogo que Washington disse ser condicionado à retomada dos fluxos, apenas nove navios foram observados passando pelo estreito desde a manhã de quinta-feira — cinco saindo do Golfo Pérsico e quatro entrando.
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Entre os mais importantes estava o petroleiro Suezmax Tour 2, transportando cerca de 1 milhão de barris de petróleo iraniano para fora da rota. Um superpetroleiro navegando sob a bandeira da Rússia, o Arhimeda, seguiu na direção oposta, rumo ao principal terminal de exportação do Irã na Ilha de Kharg.
As travessias de embarcações iranianas — e a notável ausência de outros navios — mostram o quão firme é o controle do Irã sobre Ormuz e a capacidade de Teerã de decidir o que passa por esse estreito de água vital para a economia global.
“O Irã está fazendo um trabalho muito ruim, desonroso, alguns diriam, ao permitir a passagem de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Esse não é o acordo que temos!”, disse Trump em uma postagem na Truth Social na quinta-feira. “Vocês verão o petróleo voltar a fluir, com ou sem a ajuda do Irã e, para mim, dá na mesma, de qualquer forma.”
O presidente dos EUA também advertiu o Irã contra a cobrança de taxas sobre petroleiros que cruzam Ormuz.
Ataques à Arábia Saudita
A Arábia Saudita afirmou que uma série de ataques contra sua infraestrutura crítica de energia interrompeu a produção de petróleo e gás e afetou o abastecimento de mercados globais que já sofrem com os impactos da guerra com o Irã.
Produção, transporte, refino, petroquímica e geração de energia foram “recentemente” atacados em Riad, na Província Oriental e na cidade industrial de Yanbu, informou a agência estatal Saudi Press Agency na quinta-feira, citando um funcionário do ministério de Energia. Os ataques incluíram uma estação de bombeamento do oleoduto Leste-Oeste, principal rota de escoamento do petróleo saudita durante a guerra com o Irã.
“A Arábia Saudita ainda está sob fogo do Irã — então o conflito continua, os fluxos não foram retomados”, disse Bob McNally, presidente do Rapidan Energy Group e ex-funcionário da Casa Branca, à Bloomberg Television na sexta-feira. “Eu teria expectativas baixas quanto a uma retomada realista do trânsito em Ormuz.”
Embora vários superpetroleiros totalmente carregados, cada um com cerca de 2 milhões de barris, tenham se aproximado do estreito nos últimos dois dias, nenhum fez a travessia de saída do Golfo Pérsico.
Desde a manhã de quinta-feira, dois petroleiros ligados ao Irã e sancionados pelos EUA — um deles o próprio Arhimeda — além de dois graneleiros e um navio porta-contêineres foram observados deixando o Golfo Pérsico. Na manhã de sexta-feira, o único navio visto entrando no golfo era um graneleiro ligado à China.
Todas as travessias observadas no último dia ocorreram por um estreito corredor ao norte do Estreito, entre as ilhas iranianas de Larak e Qeshm.
Embora o rastreamento de navios seja prejudicado por interferências eletrônicas nos sinais das embarcações, há ampla concordância de que Ormuz está, na prática, fechado.
Alguns navios também desligam seus transponders AIS em áreas de alto risco, o que reduz ainda mais a atualidade e a confiabilidade dos dados de rastreamento — e faz com que algumas embarcações “reapareçam” dias depois em outro ponto da rota.
Vários petroleiros dentro do Golfo Pérsico estão fundeados próximos à entrada do estreito, provavelmente para ficarem entre os primeiros a zarpar assim que a passagem for reaberta.
Dois petroleiros japoneses deixaram as águas ao largo de Ras Tanura, na Arábia Saudita, na quinta-feira para se aproximar do estreito, seguindo movimento semelhante de três navios chineses totalmente carregados.
Um petroleiro grego, o Serengeti, voltou a aparecer nos sistemas automáticos de rastreamento perto do Sri Lanka na quinta-feira, o que indica que ele teria feito a travessia de saída por volta do início do mês.














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